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Érebo

E o filho de Caos se ergue uma vez mais. Pelo seu braço, Nix esposa e irmã; noite e escuridão unidas num amor incestuoso, perpétuo e mais antigo que o próprio Mundo. Porque as forças primordiais também caem… E na sua imperfeição reside a identidade do Homem. Por isso vem, Érebo, vem. Cobre tudo com o teu manto de escuridão. Para que os justos possam sonhar com o Olimpo, enquanto outros agem na ausência da Luz. Observa. Tão insignificantes criações, perdidas em si mesmas, condenadas! Ri. Quando Caronte cobra o ébolo, nada mais importa. O ciclo não se quebra, o espectador não interfere.

M A R

Sinto a falésia A calma, a acalmia O cavalgar inexorável da espuma Deste mar de inconstância Deixá-lo erodir As mágoas, as decepções E demais lamentações Que me pesem a alma Limpo o sal das feridas Arde-me a boca a areia Os seixos lisos rolam Pelos destroços do passado Que enterrado nestas dunas Ficará assim que eu partir De regresso ao meu refúgio

Vida

Muitos, são loucos. Sobrevivem. Não vivem. Alguns, porém, Olham a vida de cima. Maiores. A Menina é maior; (Menina um dia, Menina para sempre) maior que o Mundo, maior que a Vida. E não quis para si guardar Aquilo que com os seus olhos via. O seu coração decidiu expôr. Poucos conseguem lá chegar E para toda a Eternidade O seu nome gravar; Mas já destinada À Imortalidade A Menina nasceu. - à minha Tia Lala, Maria Eulália Macedo