As horas foram noites, e os dias queimaram anos. Cinzas perdidas entre grãos de areia, caídos da ampulheta, e que não voltam atrás. Areal onde não há rastos, desta vez não há migalhas para indicar o caminho para casa. Casa? Não me façam rir. Já não é. Foi. Era. Uma vez. A história com aquele princípio que virou o fim, mas o que não há maneira de virar é a ampulheta. E pelo meio perdeu-se tanto, mas tanto, mas tanto mesmo! Ficaram sombras. Frias. Sufocantes. No meio da escuridão é só mais uma, pode ser que não vejam e passem ao lado. Mas entretanto espera e o tempo continua a passar. Passa a perna, uma e outra vez. Enquanto continuam à procura do ouro, chegava tão pouco. Esquece o mapa do tesouro, Capitão Gancho. O Peter Pan caiu da Terra do Nunca.
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Um dia ele disse: "se uma imagem vale mil palavras, quanto valem estas palavras que te canto?" Mas a resposta não interessava, porque o mais importante era a voz, e a voz era dele. Tinha sido comprada por meia-dúzia de tostões a um vendedor ambulante numa feira, dessas das terrinhas, onde se encontra de tudo e mais alguma coisa. Bom preço, amigo, leve que não se vai arrepender. E ele levou. Podia não ser nada de especial, mas não importava. Porque finalmente tinha uma voz, e a voz era dele. Se já tinha pertencido a outra alma qualquer, ninguém sabia dizer; se já tinha pertencido a outra alma qualquer, ninguém tinha memória. Tanto melhor. Agora a era voz dele. E o que ele fazia com essa voz era responsabilidade dele. Dele, e de mais ninguém.
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Tentar? Sim. Não hesitar. Nunca! Já naquele dia fatídico ele dizia, frenético, eléctrico, possuído sabe-se lá por que demónios, "Tu não desistas! Desistir é morrer!", e eu por momentos acreditei que o louco era ele. Vai-se a fazer contas à vida, sobram moedas negras perdidas no fundo de um bolso e o rasgo de lucidez era dele, queres ver que afinal ele sabia mais que nós todos? Com mil demónios. Anda para a frente, moço, que há mais para ver.
Érebo
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E o filho de Caos se ergue uma vez mais. Pelo seu braço, Nix esposa e irmã; noite e escuridão unidas num amor incestuoso, perpétuo e mais antigo que o próprio Mundo. Porque as forças primordiais também caem… E na sua imperfeição reside a identidade do Homem. Por isso vem, Érebo, vem. Cobre tudo com o teu manto de escuridão. Para que os justos possam sonhar com o Olimpo, enquanto outros agem na ausência da Luz. Observa. Tão insignificantes criações, perdidas em si mesmas, condenadas! Ri. Quando Caronte cobra o ébolo, nada mais importa. O ciclo não se quebra, o espectador não interfere.
M A R
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Sinto a falésia A calma, a acalmia O cavalgar inexorável da espuma Deste mar de inconstância Deixá-lo erodir As mágoas, as decepções E demais lamentações Que me pesem a alma Limpo o sal das feridas Arde-me a boca a areia Os seixos lisos rolam Pelos destroços do passado Que enterrado nestas dunas Ficará assim que eu partir De regresso ao meu refúgio
Vida
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Muitos, são loucos. Sobrevivem. Não vivem. Alguns, porém, Olham a vida de cima. Maiores. A Menina é maior; (Menina um dia, Menina para sempre) maior que o Mundo, maior que a Vida. E não quis para si guardar Aquilo que com os seus olhos via. O seu coração decidiu expôr. Poucos conseguem lá chegar E para toda a Eternidade O seu nome gravar; Mas já destinada À Imortalidade A Menina nasceu. - à minha Tia Lala, Maria Eulália Macedo